Há um mês que não escrevo no blog...
Subnutrido, é capaz de vir a morrer em breve!
A vida prática traz-nos para longe de coisas tão simples e... agora não ando nem com tempo nem inspiração para aqui escrever... Sinto-me feliz com a vida e quando assim é prefiro contemplá-la do que reflectir sobre ela...
Por isso talvez o blog morra aqui... enfim... pode ser que não... quando os trabalhos começarem a apertar talvez volte "aquilo" que nunca soube definir o que é, mas que me faz ter vontade de escrever ou de pensar naquilo que escrevi ou que poderia ter escrito, ou naquilo que deixei de fazer enquanto escrevi e pensei.
Não sei se alguém ainda se dá ao trabalho de vir aqui após um mês de pausa, mas se sim, sois boas almas e todo o Esplendor da Eternidade Vos Aguarda quando esticardes o pernil!!
Muito obrigada... Sei que não sou importante mas às vezes regozijo-me com essa ilusão.
Ámen...
sábado, 27 de outubro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Tudo é misterioso..

Tudo é misterioso
E eu não sou nada.
As verdades e as mentiras
Nada têm de dogmático:
Já viste como trocam de pele,
No silêncio,
Só para nos contradizer?
E eu acredito em tudo
Com uma descrença e desprendimento absolutos.
Reduzo-me à minha ignorância
E teimo como quem brinca ou mente.
A lógica é frágil
E a razão caminha segura
Em pontes sobre a loucura.
Tudo é circular e não há limites
Entre sensatez e disparate.
E assim, de tanto andar à roda
Para ver se encontro o que não acho,
Vejo a vida em círculos e é só isso que sei.
E eu não sou nada.
As verdades e as mentiras
Nada têm de dogmático:
Já viste como trocam de pele,
No silêncio,
Só para nos contradizer?
E eu acredito em tudo
Com uma descrença e desprendimento absolutos.
Reduzo-me à minha ignorância
E teimo como quem brinca ou mente.
A lógica é frágil
E a razão caminha segura
Em pontes sobre a loucura.
Tudo é circular e não há limites
Entre sensatez e disparate.
E assim, de tanto andar à roda
Para ver se encontro o que não acho,
Vejo a vida em círculos e é só isso que sei.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Já chega...
Já chega
Vamos começar do zero, Tomás.
A nossa casa brilha como uma estrela num céu negro, vazio
À nossa volta já não há ninguém
Somos só nós,
Eu e tu, Tomás.
Abraço a tua fotografia na noite escura
Onde só o nosso lar brilha
E choro
Mas não deixo as lágrimas cair
Para que essa pequena chama não se apague.
Tomás
Fui ontem ver-te
O teu corpo transmudado em flores
Sorria-me, viçoso
E acariciei os teus lábios
Ao tocar ao de leve nas pétalas daquela flor.
A minha única âncora
A este sítio
Onde apenas a nossa casa brilha
É curiosamente aquilo que me faz voar
E desprender o meu pensamento daqui:
O sonho.
Sim,
Só o sonho me mantém presa à terra.
Um dia
Quando o sol corroer de vez a cor da tua fotografia
Tão linda
Tão muda
Tão ausente
Então a luz da nossa casa
Tremeluzindo
Apagar-se-á.
Nesta terra de almas penadas
Não se verá vivalma.
Depois, não sei o que acontece;
Mas a minha fé diz-me que nos reencontraremos
E abraço o teu corpo morno
As flores morrem
E desprendem-se da tua pele macia
E tu renasces-me nos braços
Há muitas estrelas a brilhar
Recomeçamos a vida do zero
E a morte,
Enfadada com a nossa vivacidade
Vai adormecer,
E nada entre nós vai voltar a morrer.
Mas a tua fotografia continua garrida
E aperto-a contra o peito
Na esperança de que renasças do chão,
Como um rebento do meu amor.
A outra vida que deus promete
Fica longe
E foi nesta que os nossos passos deixaram rasto
E sou demasiado fraca para abandonar as memórias
Que são aquilo de que me alimento.
4 de Fevereiro de 2004
Vamos começar do zero, Tomás.
A nossa casa brilha como uma estrela num céu negro, vazio
À nossa volta já não há ninguém
Somos só nós,
Eu e tu, Tomás.
Abraço a tua fotografia na noite escura
Onde só o nosso lar brilha
E choro
Mas não deixo as lágrimas cair
Para que essa pequena chama não se apague.
Tomás
Fui ontem ver-te
O teu corpo transmudado em flores
Sorria-me, viçoso
E acariciei os teus lábios
Ao tocar ao de leve nas pétalas daquela flor.
A minha única âncora
A este sítio
Onde apenas a nossa casa brilha
É curiosamente aquilo que me faz voar
E desprender o meu pensamento daqui:
O sonho.
Sim,
Só o sonho me mantém presa à terra.
Um dia
Quando o sol corroer de vez a cor da tua fotografia
Tão linda
Tão muda
Tão ausente
Então a luz da nossa casa
Tremeluzindo
Apagar-se-á.
Nesta terra de almas penadas
Não se verá vivalma.
Depois, não sei o que acontece;
Mas a minha fé diz-me que nos reencontraremos
E abraço o teu corpo morno
As flores morrem
E desprendem-se da tua pele macia
E tu renasces-me nos braços
Há muitas estrelas a brilhar
Recomeçamos a vida do zero
E a morte,
Enfadada com a nossa vivacidade
Vai adormecer,
E nada entre nós vai voltar a morrer.
Mas a tua fotografia continua garrida
E aperto-a contra o peito
Na esperança de que renasças do chão,
Como um rebento do meu amor.
A outra vida que deus promete
Fica longe
E foi nesta que os nossos passos deixaram rasto
E sou demasiado fraca para abandonar as memórias
Que são aquilo de que me alimento.
4 de Fevereiro de 2004
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Solidão II
Por vezes aterro numa outra dimensão. Vejo uma mulher ressequida, magra, de aspecto duro. Essa mulher lembra-me uma jarra de barro tosca, quebrada na borda e já a perder a tinta.Cabelos desalinhados, olhos vazios e tristes, como se lhe tivessem levado parte da alma, cigarro na mão, escape do coração cinzento.
Uma mulher a tentar encontrar nas palavras, desesperadamente, o sentido que lhe haviam garantido que a vida tinha, afinal.
Mas por mais letras que juntasse nenhum sentido emergia.
Sentia-se só… tinha acreditado mais nas palavras do que nas gentes, mas as palavras devolviam-lhe a solidão e a desconexão como um espelho.
Solidão
Solidão.A solidão é o que nos acompanha em todos os momentos da nossa vida… Quer estejamos sós ou entre amigos. Nunca somos capazes de sentir o que os outros sentem, por mais que os toquemos ou os beijemos, por mais que os amemos, nunca são uma parte de nós, nunca vemos o mundo com os seus olhos nem tocamos na vida com os seus dedos.
“Nunca julgue seu vizinho até andar duas luas nos mocassins dele” – Provérbio Cheyenne. No entanto, por mais que andemos com os mocassins do vizinho, nunca saberemos o que ele sente ao pisar o mundo: provavelmente não calçamos o mesmo número, se calhar temos calos ou ele pode ter os pés inchados. Talvez a sabedoria dos índios tenha falhado neste aspecto.
Irremediavelmente e aterradoramente sós – por mais que usemos mocassins emprestados – esta é a condição humana.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Tecto negro

Vim do vácuo,
Da escuridão,
Que as estrelas iluminam
De negro.
Vim de um sítio
Onde nunca soube
E aonde não voltarei
Porque deixei passar
O cometa que me trouxe.
Não conheço o mundo
Em que me vou afundando
Não sei o que faço
Nem o que faça.
Sinto-me estranha
E incrivelmente sólida
Na fluidez do tempo e do espaço.
Não me reconheço
Nos rostos que me olham
Nem no espelho.
Mas sei que
À noite,
Quando durmo,
Ficamos todos unidos
Pelo mesmo tecto negro
Onde as nossas alegrias cintilam
E os medos escorrem
Como estrelas cadentes.
Afinal,
Somos todos estrangeiros
No mundo em que vivemos.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Sombras...
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